Junho Vermelho: doar sangue é ato de cidadania, afirma médica

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Segundo o Ministério da Saúde, são feitas cerca de 3,4 milhões de doações de sangue anualmente no Brasil. Dados coletados em 2016 apontam que 1,6% da população brasileira ― 16 a cada mil habitantes ― doa sangue. Apesar do número alto, o país ainda carece de mais doadores de sangue, item que nenhum medicamento consegue substituir. E com o objetivo de conscientizar a população acerca da importância da doação de sangue, é celebrado nesta quinta-feira, 14, o Dia Mundial do Doador de Sangue e a campanha Junho Vermelho.

“Você doa porque está cuidando do outro”, explica Sandra Esposti, hematologista da Fundação Pró-Sangue. “Trata-se de um ato de cidadania. Outro dia li algo a respeito que dizia: ‘é o mínimo para quem dá, mas o máximo para quem recebe’. Esta talvez seja a única campanha que traz a mensagem de cuidar do outro”, avalia.

O mês de junho, porém, é um período atípico para doações de sangue. De acordo com a médica, a chegada do frio, as doenças características desta época do ano e as férias escolares são fatores que desestimulam as pessoas a doar. “Além disto, muita gente ainda acha que doar sangue contamina, dói muito, as pessoas têm esta desinformação. Por isso essas campanhas são importantes”, diz.

“A comodidade acaba vindo em primeiro lugar, não está em nossa cultura, este é o principal fato que afasta as pessoas da doação de sangue”, pondera Debi Aronis, uma das fundadoras do movimento Eu Dou Sangue e organizadora da campanha Junho Vermelho.

Questionada se os estoques de sangue no país atendem a demanda, a organizadora da campanha Junho Vermelho é categórica: não. Segundo Debi, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que entre 3% e 5% da população de um país seja doadora de sangue e o Brasil nunca atingiu estes números.

“O Brasil nunca chegou a 2%. Isto, realmente, não é um volume satisfatório de doadores. Fizemos uma pesquisa junto ao Instituto Datafolha ano passado e descobrimos 92% dos entrevistados não tinha feito doação de sangue nos últimos 12 meses”, afirma. “Cerca de 40% da população brasileira admite não conhecer o seu próprio tipo sanguíneo. Percebemos, por meio destes dados, que o assunto doar sangue ainda está muito distante do brasileiro. E nosso trabalho é justamente fazer com quem este hábito seja incorporado às pessoas”, acrescenta.

Medo de doar

Debi aponta ainda que há um outro obstáculo que impede as pessoas de doarem sangue: o medo de agulhas. “Mas as pessoas fazem tatuagem frequentemente. E a tatuagem dói mais, é um processo muito mais demorado. Isto tudo só comprova que há falta de hábito e cultura para as pessoas doarem sangue”, observa.

O Brasil atualmente, segundo o Ministério da Saúde, conta com 32 hemocentros coordenadores e 2.033 serviços de hemoterapia, que incluem hemocentros regionais, núcleos de hemoterapia, unidades de coleta e transfusão, central de triagem laboratorial de doadores e agências transfusionais.

“Existem bancos de sangue e hemocentros de norte a sul do país”- assegura a organizadora da campanha Junho Vermelho- “Embora algumas pessoas reclamem e digam: ‘é uma pena o banco de sangue não vir até mim’. Seria interessante se houvesse uma unidade móvel que pudesse ir às cidades fazer esta coleta. Mas, veja bem, mesmo que haja uma coleta de sangue no metrô, como fizemos no ano passado, as pessoas não param para doar. Ainda há um longo caminho para que as pessoas se sensibilizem e façam da doação um hábito”, finaliza.

Por Canção Nova

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