O Brasil que queremos

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Em carta enviada aos bispos do Brasil, no dia 10 de agosto, a CNBB convida a todos que a Semana da Pátria, associada ao já tradicional Grito dos Excluídos, seja marcada pela oração e um dia de jejum, dia 07 de setembro. Ao apresentar o tema “A vida em primeiro lugar”, se quer afirmar que a pessoa humana e o meio ambiente devem ser o foco das atenções. Isto é o que sonhamos para o Brasil. “Vivemos um momento difícil e de apreensão no Brasil. A realidade econômica, política, ética vem acompanhada de violência e desesperança”, diz a carta.

Na oração que somos convidados a realizar, está expresso claramente o sentimento do povo brasileiro: “Estamos indignados diante de tanta corrupção e violência que espalham morte e insegurança. Pedimos perdão e conversão. Nós cremos no vosso amor misericordioso que nos ajuda a vencer as causas dos graves problemas do País: injustiça e desigualdade, ambição de poder e ganância, exploração e desprezo pela vida humana”.

Infelizmente, depois de repetidas decisões por parte do Congresso Nacional, do governo federal e, também, por membros do Supremo Tribunal Federal que afrontam e contrariam o desejo de justiça expresso pela população brasileira, bem como de posturas antiéticas de muitos dos seus representantes, ouve-se e sente-se um generalizado desânimo no que se refere à política. Ela deixou de ser o espaço de discussão e encaminhamento do bem comum para ser o lugar de defesa corporativa de interesses partidários e pessoais. Sim, nosso povo está cansado! Ninguém mais aguenta. Há os que afirmam: não vale a pena! Preferem fechar os olhos e tapar os ouvidos. A indiferença, porém, mostra-se desastrosa. Abre-se caminho para soluções que não são desejáveis: reações violentas e irracionais de uma minoria ou total conformismo, sem nenhuma reação, pela maioria.

Porém, como cristãos, “não deixemos que nos roubem a esperança” (EG 86), nos diz o Papa Francisco. Evitemos toda forma de violência. Mantenhamos com perseverança nosso desejo de construir um país justo e fraterno. Não esqueçamos do lugar a partir do qual encontramos o sentido para todas as coisas: Jesus Cristo e seu Evangelho do Reino. Como Ele, que todos estejam atentos às necessidades das pessoas mais fragilizadas e indefesas. E continuamos a orar: “que o diálogo e o respeito vençam o ódio e os conflitos! Que as barreiras sejam superadas por meio do encontro e da reconciliação! Que a política esteja, de fato, a serviço da pessoa e da sociedade e não dos interesses pessoais, partidários e de grupos”. Concordamos com o Papa Francisco, quando afirma que “enquanto não forem radicalmente solucionados os problemas dos pobres, renunciando à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade social, não se resolverão os problemas do mundo, em definitivo, problema algum” (EG 202).

Que a Semana da Pátria nos reanime e renove nossa esperança, como nos diz o profeta Isaías: “Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará” (Is 11,1). Sejamos protagonistas de relações éticas. Eduquemos nossas crianças e jovens para o sentido da justiça e da solidariedade. Sejamos defensores da sacralidade vida humana desde sua concepção, no útero materno, passando, igualmente, pelo “útero social”, com seus direitos básicos garantidos para crescer e realizar-se como pessoa.

Por Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta

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