Não, a velhice não é um naufrágio!

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A velhice é a idade dos despojamentos: a pessoa vai se retirando gradualmente da vida chamada “ativa”, deixando para os mais jovens algumas responsabilidades que costumava gostar de assumir. Aos poucos é preciso admitir que somos limitados e que os anos fizeram com que nossos limites se tornassem mais visíveis. Por fim, perdemos um pouco nossa independência.

Começamos a ver ao nosso redor as pessoas que vão partindo – o cônjuge, amigos, irmãos e irmãs. Muitas vezes nos sentimos excluídos, rejeitados de um mundo onde a lucratividade prevalece, temos medo da morte, que se torna uma realidade muito próxima.

É também o tempo das lembranças – às vezes expressas como amargos arrependimentos, outras vezes em ação de graças. Algumas pessoas vivem a triste experiência de achar que perderam as suas vidas; outros carregam feridas dolorosas, geralmente o peso de perdões que não puderam ser trocados, erros que pensam ser irreparáveis. Mas muitos também podem ver, mesmo através das provações, tudo o que foi bom e belo em suas vidas, tudo o que lhes foi oferecido como um presente de Deus.

Se tomamos apenas o olhar humano, envelhecer não faz muito sentido, e todos os limites que nascem com a velhice parecem um mal a suprimir ou sofrer. Mas o Evangelho nos convida a converter nosso olhar. A palavra de Jesus: “Bem-aventurados os pobres”, também se aplica a todos aqueles que já não gozam de de sua força física, memória ou independência. Foi o que fez Santa Teresa do Menino Jesus, esmagada pela doença, dizer: “Sentimos uma paz tão grande de ser absolutamente pobres, de contar apenas com o bom Deus!”

A velhice é a hora da promessa

A esperança, que nos faz desejar como nossa felicidade o Reino dos Céus e a vida eterna, depende somente de Deus. Quanto mais sentimos nossa força nos deixar, mais somos levados – se quisermos – a depositar toda a nossa confiança em Deus, especialmente com a aproximação da morte. “Não é à toa que nos retraímos ao pensar na morte, porque é nesse momento que percebemos a condição humana marcada pelo pecado, algo de obscuro que geralmente nos entristece e nos assusta”, afirmou São João Paulo II. Mas “em Cristo, essa realidade dramática e avassaladora da morte é redimida e transformada, e ela começa a parecer uma “irmã que nos leva aos braços do Pai”, acrescentou.

Vemos se aproximar o momento de plena maturidade, aquele pelo qual todos fomos feitos e que alcançaremos após a morte. “Esses anos devem ser vividos com o coração cheio de fé, e abandonado nas mãos de Deus Pai e de sua imensa providência e misericórdia. É um período que pode e deve ser empregado de maneira criativa, para o aprofundamento da sua vida espiritual, orando com mais intensidade e dedicando-se a seus irmãos na caridade”, disse São João Paulo II.

Essa doação pode parecer pobre ou escondida – começando por exemplo com a oferta de seus limites – mas a fecundidade de uma vida não é medida pelas aparências. Para dar frutos, a única condição é aderir de todo o coração a Cristo, como o ramo está ligado à videira. Independentemente de nossa idade e de nossas fraquezas: apenas nosso “sim” ao amor de Deus conta, aqui e agora.

Por Christine Ponsard, via Aleteia

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