O Resgate da Vitalidade de Viver

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Uma boa vida é aquela que é bem vivida!

“Todos nós, mais cedo ou mais tarde, chegaremos a esta fase da vida e deveríamos ter a consciência de respeitar e de valorizar os idosos, pessoas que, com seu trabalho, paciência, dedicação, conhecimento e experiência, possibilitaram a construção do nosso presente,com mais oportunidades e caminhos aos mais jovens, os quais, na maioria das vezes,tem sido muito melhores do que aqueles que eles mesmos tiveram ao longo de sua vida. Todos os idosos merecem o nosso respeito, amor, carinho, dedicação e consideração.”
Dra Olga Inês Tessari

Existe um mito de que a velhice seja uma etapa de restrições, privações e sofrimentos, o que é uma inverdade, pois os idosos podem gozar de bem estar e saúde até o final da vida, tudo vai depender da forma como viveram e como cuidaram de si mesmos ao longo dela.
As doenças podem surgir em qualquer fase da vida, o que ocorre nesta fase são algumas limitações que, se bem administradas, não impedem que o idoso tenha uma vida plena, saudável e feliz.
A chegada na terceira idade traz consigo muitas perdas e mudanças!
Com a aposentadoria ocorre a perda do trabalho, algo ao qual o idoso dedicou boa parte de sua vida; além disso, em muitos casos, também existe a diminuição do poder aquisitivo o que gera mudanças no padrão de vida, nem sempre muito bem aceitas; é comum nesta fase a perda de amigos e parentes, o que leva o idoso a refletir sobre a chegada da sua própria morte; surgem também as limitações físicas próprias da idade tais como dificuldades perceptivas, sensoriais e de memória, além da lentidão dos movimentos, da diminuição da força muscular e da coordenação motora; nesta fase da vida a própria sociedade, assim como a família,  tendem a segregar o idoso, vendo-o como uma pessoa improdutiva e sem valor. Estes fatores podem levar o idoso a um quadro de apatia, de inatividade, de desinteresse e desânimo em geral.
É comum, nesta fase da vida, o aparecimento da depressão, o problema mais presente na terceira idade, embora ela não seja uma doença característica desta fase da vida. Ela surge em função do idoso não saber lidar ou encarar de forma positiva estas mudanças que fazem parte de sua vida. A depressão significa, em última instância, sentir-se sem saída diante de um determinado conflito, problema ou situação, o que pode gerar muito sofrimento e dor. Pessoas com baixa autoestima, que sempre veem a si mesmas e o mundo com pessimismo, que são facilmente sobrecarregadas pelo estresse, que não aceitam envelhecer e que não encaram a diminuição da vitalidade como algo inerente à idade são propensas a apresentar depressão, assim como pessoas que não aceitam a realidade como ela é! A depressão é uma doença e requer tratamento médico e psicológico!
Perdas e mudanças fazem parte da vida, a morte vem para todos e chegar à terceira idade é um fator que pode ser encarado tanto de forma positiva como negativa! Ao invés de encarar a realidade como ruim, assustadora ou com sofrimento, pode-se pensar no que fazer para mudá-la ou, na impossibilidade da mudança, de que forma encarar e aceitar esta realidade sem sofrimento, aceitando-as como um desafio, um fator de aprendizagem de convivência, de respeito e de aceitação das próprias limitações.
Aceitar o envelhecimento com naturalidade é o caminho, buscando conviver bem com as limitações e valorizando aquilo que faz parte exclusiva dos idosos: a larga experiência de toda uma vida que jamais poderia ser deixada de lado e que deveria ser muito bem aproveitada pelos jovens e pela sociedade de um modo geral.
Chegar à terceira idade não significa apenas o final da jornada de anos de trabalho e de missão cumprida em relação à criação dos filhos, mas a entrada em um novo estilo de vida, algo que pode ser muito bom porque permite a realização de desejos não satisfeitos ao longo da vida seja por causa do tempo dispendido no trabalho, seja porque haviam outros interesses à frente.
É a fase da vida em que os idosos podem realmente se dar ao “luxo” de exercerem atividades que lhes tragam apenas prazer, alegria e satisfação, sem a cobrança de um desempenho (como no trabalho) ou sem a responsabilidade de educar ou de exercer um bom papel (é hora de serem simplesmente eles mesmos, serem avós e não mais pais zelosos com a educação, sem precisar mais “dar o exemplo”).
Em geral, o idoso mora com os filhos ou com pessoas de idade menor que a sua e a família, por causa de suas próprias obrigações/atividades, não costuma dar a ele a atenção necessária, muitas vezes não dispondo de tempo para ouvir o idoso, o que o leva a sentir-se num plano secundário: essa falta de atenção da família pode levar o idoso à diminuição de sua autoestima e até à depressão, quando ele não tem atividades sociais que compensem esta falta de atenção familiar: por isso é importante que o idoso tenha outras atividades extra-familiares que lhe tragam prazer, mantendo ou criando novas amizades e contatos. Os familiares devem aceitar e incentivar esta busca de prazeres, permitindo a concretização dos mesmos na medida do possível, não delegando mais determinadas tarefas ou exigindo que eles cumpram com determinadas obrigações caso não seja da vontade deles! Qual é a dificuldade da família de entender estas mudanças de postura ou de atitudes nos idosos e de aceitar estas mudanças de bom grado? Por que exigir que eles continuem sendo e agindo sempre e eternamente da mesma forma e, pior ainda, exigindo que eles continuem sustentando a família?
É importante que a atividade cerebral do idoso continue a ser estimulada com leituras ou com quaisquer atividades que possam prender a sua atenção e, principalmente, manter o contato com pessoas queridas a maior parte do tempo. O ser humano é um ser social e o idoso precisa conversar e, principalmente, ser ouvido! Pedir a ele que relate suas experiências passadas, que conte histórias da família, que fale sobre aquilo que gosta de falar são maneiras de estimulá-lo e, mais do que isso, são atividades que lhe trazem muito prazer.
Os idosos adoram se sentir úteis e ficam felizes em poder ajudar ou satisfazer um desejo/necessidade de um parente ou conhecido! Eles jamais devem ser tratados como pessoas inválidas, são pessoas que possuem mais limitações inerentes à idade! Portanto, deve-se delegar a eles apenas tarefas que possam ser executadas sem sacrifícios (como cozinhar, se eles gostarem, bordar, fazer um determinado conserto, etc.).
A família e os amigos jamais devem dar a perceber que se sentem incomodados com a presença do idoso ou que não tem vontade de ajudá-lo, de ouvi-lo, pelo contrário, devem agir no sentido de permitir, na medida do possível, a manutenção da autonomia, da independência e da dignidade do idoso.Tratá-lo com respeito e dignidade é ensinar às novas gerações como elas devem tratar a si mesmas no futuro (porque, se não morrermos antes, um dia todos nós seremos idosos).
Como já foi dito, o ser humano é um ser social: o lazer, a distração, a conversa, o bem estar e as atividades em grupo são fundamentais para todos, independente da idade. No caso do idoso, ter um hobby, participar de passeios, reuniões culturais e manter contato com pessoas de sua faixa etária é extremamente importante, pois ajuda a elevar a sua auto estima e fazer com que ele se sinta integrado à sociedade.
Para que o idoso possa ter uma vida plena, saudável e feliz é preciso seguir uma alimentação saudável, equilibrada e balanceada, praticar uma atividade física regular sempre com orientação profissional, fazer um check-up médico periódico, continuar com a atividade sexual, manter o contato com amigos, parentes e afins, procurar ter momentos de lazer constantes, ou seja, cuidar de si mesmo como um todo, ocupando-se com atividades que lhe tragam prazer, alegria e satisfação: todos estes fatores juntos colaboram para que a sua vida seja plena, saudável e feliz!

Consultora: Olga Inês Tessari (Psicoterapeuta e pesquisadora)

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