Restauração de mais antigo manuscrito dos Exercícios Espirituais de S. Inácio

0

viewUm histórico manuscrito dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, o mais antigo que se conserva na atualidade e que inclui anotações do próprio Santo Inácio, culminou um detalhado processo de restauração e retornou ao Arquivo da Companhia de Jesus. O trabalho foi necessário pelo efeito negativo do ácido contido na tinta empregada em sua escritura.

A restauração foi definida como “de vanguarda” pelo jornal italiano Avvenire, que destacou o valor do escrito como uma relíquia extraordinária que no entanto foi fabricada como um objeto comum e fazendo uso dos materiais usuais: papéis finos e tinta com um grau de acidez. O documento já havia sido submetido a uma restauração demasiadamente invasiva para as técnicas atuais nas quais aderiram capas de seda fina às folhas que tinham risco de perder pedaços de papel.

A técnica empregada anteriormente conseguiu evitar a perda de fragmentos mas favoreceu a passagem da tinta, o que prejudicou gravemente a leitura. A seda agregada não neutralizou a ação do ácido da tinta e o processo foi acelerado pelo cola empregada. Por isto se requeriu um notável esforço que contou com o financiamento da Fundação Vasca Gondra Barandiarán de Guecha em Vizcaya.

O manuscrito foi analisado através de infravermelho, fluorescência de raios X e raios ultravioleta. Estes procedimentos indicam a presença de metais pesados, a composição das folhas e das tintas. As adições de seda tiveram que separar-se sem afetar o papel e aplicar uma nano-suspensão de hidróxido de cálcio álcool isopropílico especialmente desenvolvido para o documento.

Os trabalhos foram apresentados em um evento organizado na Sala Magna da Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, Itália, no dia 29 de abril. O fórum contou com a presença do Padre Ignacio Echarte, Secretário da Companhia de Jesus, que comentou a importância do manuscrito e de especialistas da universidade Católica do Sacro Cuore, da Universidade de Pádua e a Universidade de Florença, assim como da Biblioteca Apostólica Vaticana.

Por Gaudium Press

Compartilhar.

Deixe um comentário